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Gel dá energia e dá enjoo: quase sempre o erro está no que você bebe junto

Gel com isotônico cria uma solução concentrada demais e puxa água pro intestino. Quantos géis por prova, quando tomar o primeiro e como treinar o intestino antes.

Gel dá energia e dá enjoo: quase sempre o erro está no que você bebe junto

Gel de carboidrato dá enjoo quando é tomado com isotônico em vez de água. A mistura cria no estômago uma solução concentrada demais, que puxa água do corpo pra dentro do intestino, e o resultado é peso no estômago, náusea e diarreia no meio da prova.

Quanto carboidrato o seu corpo consegue absorver por hora

O limite não está no estômago, está na parede do intestino. A glicose atravessa por um transportador chamado SGLT1, e ele satura em torno de 60 gramas por hora. Passar disso com gel só de glicose não entrega mais energia, entrega carboidrato parado no intestino, que é exatamente o que causa desconforto.

A saída é usar dois açúcares diferentes. A frutose entra por outro transportador, o GLUT5, que trabalha em paralelo. Com uma mistura de glicose e frutose, a absorção total sobe para a faixa de 90 gramas por hora, porque você usa duas portas ao mesmo tempo em vez de forçar uma só.

Quantos géis levar pra cada prova

A maioria dos géis do mercado traz entre 20 e 30 gramas de carboidrato por sachê. Considerando 25 gramas por unidade, a conta fica assim:

Prova Tempo típico Carboidrato por hora Géis Intervalo
5 km Até 40 min Não precisa 0 Só água
10 km 50 min a 1h20 0 a 30 g 0 a 1 Opcional, na metade
21,0975 km 1h45 a 2h45 30 a 60 g 2 a 5 1 a cada 30 a 40 min
42,195 km 3h30 a 5h30 60 a 90 g 8 a 16 1 a cada 20 a 25 min

Repare no que a última linha significa na prática: manter 60 gramas por hora com géis de 25 gramas exige um sachê a cada 25 minutos, do começo ao fim. Ninguém consegue isso improvisando no dia, e é por isso que maratonista carrega o plano escrito e ensaiado.

Por que dá enjoo, e o que fazer pra não dar

O gel é uma pasta muito concentrada. Sozinho no estômago, ele precisa ser diluído antes de ser absorvido, e essa diluição vem da água que você bebe junto.

Se em vez de água você toma isotônico, você acrescenta mais açúcar a uma solução que já estava concentrada demais. O conteúdo do estômago fica com concentração maior que a do sangue, e a água passa a se mover no sentido errado, do corpo pra dentro do intestino. Daí vem a sensação de líquido balançando na barriga, a náusea e a diarreia.

A regra é uma só: gel sempre com água pura, entre 150 e 250 ml por sachê. Se o posto de hidratação só tem isotônico, é melhor atrasar o gel até o próximo posto com água.

Quando tomar o primeiro gel

Antes de sentir necessidade. O carboidrato leva de 15 a 20 minutos entre ser ingerido e virar energia disponível, então o gel tomado quando a perna já pesou chega tarde.

Em meia maratona, o primeiro sai por volta dos 40 a 45 minutos. Em maratona, entre 30 e 40 minutos de prova, e depois em intervalo fixo, no relógio, não na sensação. Esperar a fome ou a queda de ritmo é o erro clássico de quem se prepara bem e quebra mesmo assim.

Treinar o intestino também é treino

A capacidade de absorver carboidrato durante o esforço melhora com exposição repetida. Quem nunca tomou gel em treino e resolve tomar oito no dia da maratona está estreando um sistema inteiro na hora errada.

O protocolo é simples: comece nos treinos longos com um gel, na mesma marca e sabor que você vai usar na prova, e vá acrescentando um a cada duas ou três semanas até chegar ao consumo planejado. São seis a oito semanas de adaptação, feitas dentro do treino que você já faria.

Os erros que estragam a prova

  • Tomar gel com isotônico: a causa número um de mal-estar gastrintestinal em prova.
  • Estrear marca ou sabor no dia: tolerância a gel é individual, e prova não é lugar de teste.
  • Esperar sentir fraqueza pra tomar o primeiro: o efeito demora de 15 a 20 minutos, então você fica sem energia justamente no trecho decisivo.
  • Tomar todos os géis com pouca água: a diluição é parte do produto, não um detalhe.
  • Carregar gel de menos: contar com o que a organização distribui é apostar em marca desconhecida no meio da prova.
  • Somar gel, bebida esportiva e barra ao mesmo tempo: a conta de carboidrato por hora é do total, não de cada item separado.

Quantidades de carboidrato por hora são referências gerais e mudam com peso, ritmo, calor e tolerância individual. Corredores com diabetes, doença gastrintestinal, síndrome do intestino irritável ou restrição a frutose precisam de plano ajustado por nutricionista ou médico, e nunca devem seguir uma tabela genérica.

Perguntas frequentes

Pode tomar gel de carboidrato com isotônico?

Não. O gel já é uma pasta muito concentrada e o isotônico acrescenta mais açúcar, deixando o conteúdo do estômago mais concentrado que o sangue. A água passa a se mover do corpo para o intestino, e o resultado é peso no estômago, náusea e diarreia. Gel se toma com água pura, entre 150 e 250 ml por sachê.

Quanto carboidrato por hora dá para absorver correndo?

Cerca de 60 gramas por hora quando o carboidrato é só glicose, porque o transportador intestinal SGLT1 satura nesse ponto. Com uma mistura de glicose e frutose, que usa também o transportador GLUT5, a absorção sobe para a faixa de 90 gramas por hora, já que duas portas trabalham em paralelo.

Quantos géis levar para a meia maratona?

De 2 a 5, considerando géis de 25 gramas e um consumo de 30 a 60 gramas de carboidrato por hora numa prova de 1h45 a 2h45. O intervalo prático é um gel a cada 30 a 40 minutos, sempre acompanhado de água.

Quando tomar o primeiro gel na prova?

Antes de sentir necessidade, porque o carboidrato leva de 15 a 20 minutos para virar energia disponível. Em meia maratona, por volta dos 40 a 45 minutos. Em maratona, entre 30 e 40 minutos, e depois em intervalo fixo marcado no relógio, não na sensação.

O que é treinar o intestino para usar gel?

É expor o sistema digestivo ao gel durante os treinos longos para que ele aprenda a absorver carboidrato sob esforço. Comece com um gel, da mesma marca e sabor da prova, e acrescente mais um a cada duas ou três semanas. São de seis a oito semanas de adaptação, dentro dos treinos que você já faria.

Preciso tomar gel numa prova de 10 km?

Em geral não. Provas de até uma hora e vinte são cobertas pelo glicogênio já estocado. Um gel na metade pode ajudar quem corre no limite superior desse tempo ou treinou em jejum, mas não é requisito, e para 5 km só água basta.

Quantos géis são necessários numa maratona?

Entre 8 e 16, considerando sachês de 25 gramas e um consumo de 60 a 90 gramas por hora numa prova de 3h30 a 5h30. Na prática é um gel a cada 20 a 25 minutos do começo ao fim, o que exige plano escrito e ensaiado nos treinos longos.

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