A pontada no lado não é falta de fôlego: ela vem de onde você não está olhando
Não é o baço nem o fôlego: é o peritônio. Por que quase sempre dói do lado direito, o passo a passo para aliviar correndo e a tabela de gatilhos que você controla.
A pontada no lado não vem do fôlego nem do baço. A explicação com mais apoio hoje é a irritação do peritônio, a membrana dupla que reveste a barriga por dentro, e é por isso que respiração e postura mudam tanto o quadro.
O que é essa dor, afinal
O nome técnico é dor abdominal transitória relacionada ao exercício. Ela aparece como uma fisgada aguda logo abaixo das costelas, é uma das queixas mais comuns entre corredores, e some sozinha pouco depois que você para, sem deixar sequela.
A explicação com mais aceitação hoje envolve o peritônio, que tem duas camadas: uma cobre a parede do abdômen e outra reveste os órgãos. Entre elas existe uma película de líquido que permite o deslizamento. Na corrida, o sobe e desce contínuo faz as vísceras balançarem e as duas camadas atritarem, e o resultado é a dor localizada e afiada que você conhece.
Por que quase sempre dói do lado direito
Porque é do lado direito que fica o fígado, o órgão mais pesado da cavidade abdominal, preso ao diafragma por ligamentos. Quanto mais massa balançando a cada passada, mais tração e mais atrito.
A teoria antiga de que a dor era o baço se contraindo ficou pra trás justamente aqui: o baço é do lado esquerdo, e a maioria das pontadas é do lado direito. Também é comum a dor irradiar pra ponta do ombro do mesmo lado, o que é típico de irritação do diafragma e da região vizinha, e não de problema muscular na barriga.
O que fazer no meio da corrida pra ela passar
A sequência que costuma resolver sem precisar abandonar o treino:
| Passo | O que fazer | Por quê |
|---|---|---|
| 1 | Reduzir o ritmo, sem parar de todo | Diminui a amplitude do balanço das vísceras |
| 2 | Respirar fundo pela barriga, empurrando o abdômen pra fora na inspiração | Trabalha o diafragma em amplitude total, em vez de respiração curta e travada |
| 3 | Soltar o ar com força e a boca semiaberta ao pisar com o pé do lado que dói | Muda o momento em que a pressão interna sobe dentro do ciclo da passada |
| 4 | Pressionar com os dedos o ponto dolorido enquanto expira | Reduz a tração local e costuma dar alívio imediato |
| 5 | Alongar o tronco pro lado oposto, com o braço por cima da cabeça | Abre o espaço entre as costelas e alivia a tensão da parede abdominal |
O que provoca a pontada
| Gatilho | Por que atrapalha | O que mudar |
|---|---|---|
| Comer perto do treino | Estômago cheio pesa mais e aumenta a tração | Refeição completa 2 a 3 h antes, lanche leve até 1 h antes |
| Bebida concentrada antes de correr | Suco, refrigerante e isotônico muito doce atrasam o esvaziamento do estômago | Água nos 30 minutos que antecedem |
| Beber muito volume de uma vez | O líquido balança dentro do estômago | Goles pequenos e frequentes |
| Respiração curta e alta | O diafragma trabalha em amplitude reduzida e tenso | Respiração diafragmática, ombro solto |
| Postura desabada | Comprime a cavidade abdominal | Tronco alongado, olhar à frente |
| Aumento súbito de ritmo ou volume | Musculatura do tronco menos preparada sofre mais | Progressão gradual e trabalho de core |
Como reduzir a chance de acontecer de novo
- Ajuste o horário da refeição antes de mexer em qualquer outra coisa. É o fator isolado que mais muda o quadro.
- Treine o core. Prancha, prancha lateral e exercícios antirrotação dão sustentação à parede abdominal.
- Aqueça antes do ritmo forte. A pontada é muito mais comum quando o esforço sobe de repente.
- Corra mais ereto quando a fadiga chegar. É no fim do treino que a postura desaba e a dor aparece.
- Teste o que você bebe. Se a pontada acontece sempre nos dias de bebida doce antes de sair, você já achou o gatilho.
Vale dizer também que a pontada tende a ficar mais rara conforme o condicionamento melhora, o que reforça a ideia de que ela tem componente de adaptação, e não de defeito.
Quando não é pontada
A dor abdominal transitória tem assinatura clara: é aguda, fica embaixo das costelas, aparece durante o esforço e some pouco depois de você parar. Fora desse padrão, o caso é outro. Procure avaliação médica se a dor não passa ao parar, se volta em repouso, se vem com falta de ar desproporcional, se aperta o peito, irradia pro braço ou pro maxilar, se vem com febre, vômito ou sangue, ou se a barriga fica dolorida ao toque depois do treino.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta. Dor abdominal recorrente, que muda de padrão ou que passou a acontecer em intensidades que antes eram tranquilas, merece avaliação médica antes de qualquer ajuste de treino.
Perguntas frequentes
O que causa a pontada no lado ao correr?
A explicação com mais apoio hoje é a irritação do peritônio, a membrana dupla que reveste a cavidade abdominal. O sobe e desce da corrida faz as vísceras balançarem e as duas camadas atritarem, e daí vem a fisgada aguda abaixo das costelas. O nome técnico é dor abdominal transitória relacionada ao exercício.
Por que a pontada dói do lado direito?
Porque é do lado direito que fica o fígado, o órgão mais pesado da cavidade abdominal, ligado ao diafragma. Quanto mais massa balançando a cada passada, mais tração e mais atrito. A antiga teoria de que a dor era o baço não se sustenta justamente por isso: o baço fica do lado esquerdo.
Como fazer a dor no lado passar durante a corrida?
Reduza o ritmo sem parar, respire fundo pela barriga empurrando o abdômen para fora na inspiração, solte o ar com força ao pisar com o pé do lado que dói, pressione o ponto dolorido com os dedos ao expirar e alongue o tronco para o lado oposto com o braço por cima da cabeça.
Comer antes de correr causa pontada?
Sim, é um dos gatilhos mais fortes. Estômago cheio pesa mais e aumenta a tração sobre as estruturas internas. A referência é fazer a refeição completa de 2 a 3 horas antes e limitar-se a um lanche leve até uma hora antes do treino.
Bebida doce antes de correr piora a pontada?
Piora. Suco, refrigerante e isotônico muito concentrado atrasam o esvaziamento do estômago, que fica mais cheio por mais tempo durante o esforço. Nos 30 minutos que antecedem o treino, o mais seguro é água, em goles pequenos e frequentes em vez de um volume grande de uma vez.
Como evitar a pontada nos próximos treinos?
Ajuste primeiro o horário da refeição, que é o fator que mais muda o quadro. Depois, treine o core com prancha e exercícios antirrotação, aqueça antes dos trechos fortes, mantenha o tronco ereto quando a fadiga chegar e revise o que você bebe antes de sair.
Quando a dor abdominal na corrida é preocupante?
Quando foge do padrão da pontada. Procure avaliação médica se a dor não passa ao parar, se volta em repouso, se vem com falta de ar desproporcional, aperto no peito, irradiação para braço ou maxilar, febre, vômito ou sangue, ou se a barriga fica dolorida ao toque depois do treino.

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