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Como duas professoras nadaram de Niterói até a Barra da Tijuca? O revezamento de uma hora que ensina a sua próxima travessia

Como duas professoras nadaram de Niterói até a Barra da Tijuca? O revezamento de uma hora que ensina a sua próxima travessia

Revezando uma hora cada uma, a noite inteira, com uma traineira ao lado. As professoras Geórgia Firpo e Luciana Martino, do Colégio Pedro II, largaram da Praia de Icaraí, em Niterói, à meia-noite de 4 de novembro e chegaram à Praia do Pepê, na Barra da Tijuca, 13h15min13s depois, num percurso de cerca de 40 km. Sem nadadeira, sem flutuador, nas regras da natação em águas abertas.

A dupla se chama Soma 100+, porque a idade das duas passa de 100 anos somada. Não são atletas profissionais: são professoras de Artes e de Matemática que treinam e nadam por conta própria. E é justamente por isso que a travessia interessa a quem nada no mar no fim de semana. O que fez a diferença não foi um braço fora do comum, e sim o jeito como elas dividiram a prova.

Por onde passou a travessia de Niterói até a Barra?

A rota saiu de Icaraí, passou por Itaipu, contornou a Ilha da Mãe, cruzou a entrada da Baía de Guanabara e seguiu pela orla do Rio, por Ipanema, Leblon, Vidigal, São Conrado, Joá e Joatinga, até a Praia do Pepê, segundo o A Seguir Niterói. Por volta das 8h da manhã elas estavam perto das Ilhas Cagarras. Às 11h tinham 34,2 km nadados, na altura do Vidigal, e às 12h, 37,1 km, de acordo com o Cidade de Niterói.

O tempo final de 13h15min13s e as regras da prova foram publicados pelo O São Gonçalo: o nado seguiu as normas da World Open Water Swimming Association, com a chancela da LPSA, a associação que organiza a travessia do Leme ao Pontal. A A Tribuna RJ registrou a dupla como a primeira formada por mulheres a fazer o trajeto de Icaraí à Barra.

Qual foi o ritmo da dupla nos 40 km?

A conta é simples e ajuda a entender o tamanho da coisa. Com 40 km em 13h15, a média foi de cerca de 3 km por hora, ou perto de 2 minutos a cada 100 metros, sustentados por 13 horas, metade delas no escuro.

Trecho Distância Tempo Média
Da largada ao Vidigal 34,2 km 11h 3,1 km/h
Do Vidigal à marca das 12h 2,9 km 1h 2,9 km/h
Prova inteira cerca de 40 km 13h15min13s 3,0 km/h, perto de 2min/100 m

O detalhe que mais chama a atenção é a regularidade. Onze horas depois da largada, o ritmo da hora seguinte ainda era praticamente o mesmo da média. Quem já nadou uma travessia longa sabe que o comum é o contrário: sair rápido e ver a velocidade derreter no fim.

Por que revezar de hora em hora funciona tão bem?

Segundo o Jornal DR1, cada uma nadava uma hora enquanto a outra descansava na traineira, onde a equipe de apoio cuidava da alimentação e da hidratação. Isso dá a cada nadadora perto de seis horas e meia de água no total, em blocos de uma hora, com uma hora de pausa entre eles.

O bloco curto tem três vantagens que valem para qualquer revezamento, inclusive o da Travessia Caraguatatuba Ilhabela:

Vantagem do bloco de uma hora O que acontece na prática
Ritmo que dá para segurar Uma hora é um esforço que o amador conhece do treino. Dá para nadar forte sem entrar no vermelho.
Comer e beber no barco A pausa vira o momento de repor energia, sem parar no meio do mar para pegar um gel.
Cabeça descansada Em vez de encarar 40 km, cada uma encara uma hora por vez. Na madrugada, isso faz diferença.

O lado difícil é o que ninguém vê: sair do barco, já frio, e voltar para a água escura no meio da madrugada. Quem descansa esfria, e os primeiros minutos de cada volta costumam ser os piores.

O que ninguém te conta sobre nadar uma travessia longa à noite?

Que o escuro muda tudo, da navegação ao corpo. Sem enxergar a costa, quem guia é o barco, e a nadadora vira a cabeça para ele a cada respiração. A gente já explicou o que muda quando a prova começa antes do sol nascer em largada no escuro. E a geografia também cobra: o O São Gonçalo lembra que o percurso dá uma virada de quase 180 graus em Itaipu, então a corrente que ajuda num trecho pode atrapalhar no seguinte.

A outra coisa que pesa é a pele. Treze horas de água salgada, com o pescoço girando para respirar milhares de vezes, transformam a costura do maiô e a borda da touca em lixa. É o que a gente detalhou em assadura na água.

E quando o dia nasce, o sol entra na conta. Da manhã até a chegada, perto das 13h, foram horas de sol no rosto e nas costas, com o reflexo da água. Para isso existe o protetor facial resistente à água, passado no barco antes da volta que pega o amanhecer.

O que essa travessia ensina para quem nada no fim de semana?

Três lições, todas com o número da prova por trás:

Lição Como levar para o seu treino
Ritmo igual do começo ao fim As professoras nadaram a hora 12 quase na mesma média da prova. No seu treino longo, saia num ritmo que você aguentaria repetir no final.
Dividir a distância Pense em blocos, não no total. Uma hora por vez, ou uma boia por vez, cansa menos a cabeça.
Comer em horário marcado A pausa no barco era hora de comer. Na travessia solo, a conta de energia está em gel de 30 em 30 minutos.

A dupla não chegou ali do nada. Em 2023, Geórgia e Luciana já tinham nadado o Leme ao Pontal, de cerca de 36 km, e guardam desde então o recorde do revezamento feminino da prova, segundo o O São Gonçalo. Quarenta quilômetros vieram depois de anos de mar. Para quem está começando, a régua é outra, e a gente mostrou a conta em quantos metros nadar por semana.

Mais guias de mar e travessia estão no Guia Rosa V de Águas Abertas.

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