Portal dos Esportes Loja oficial Rosa V →
PORTALDOS ESPORTES
Em alta
Natação e Águas Abertas

Você não nada torto, você nada sem olhar: o guia do avistamento

O nado jacaré em três tempos, de quantas em quantas braçadas olhar em cada condição e a conta, em metros e minutos, do que custa desviar do percurso.

Você não nada torto, você nada sem olhar: o guia do avistamento

Quase ninguém nada torto por falta de técnica de braçada. Nada torto quem não olha, ou olha do jeito errado, na hora errada. O avistamento é um gesto de menos de um segundo que decide quantos metros a mais você vai nadar hoje.

O que é o nado jacaré, e por que ele afunda o quadril

Avistar é erguer a cabeça só até a linha dos olhos, o suficiente pra que os óculos saiam da água, aproveitando o apoio da mão que está puxando. É daí que vem o apelido: só os olhos aparecem, como os de um jacaré.

O erro que estraga tudo é projetar o queixo pra frente. Quando a cabeça sobe demais, o quadril desce na mesma medida, o corpo sai da posição horizontal e você paga em arrasto por várias braçadas depois. Um avistamento mal feito custa mais caro que dois bem feitos.

A sequência de três tempos

Olhar e respirar no mesmo movimento é o segundo erro mais comum, e ele é o que mais cansa. A sequência separa as duas coisas:

  • Puxa: a mão entra e começa a tracionar, gerando a elevação do tronco.
  • Olha: os olhos saem da água à frente, o pescoço fica neutro, e você registra a referência sem tentar analisar nada.
  • Apoia e gira: a cabeça volta pra água e só então você rola de lado pra respirar, no ciclo normal.

De quantas em quantas braçadas olhar

Condição Frequência Por quê
Lago ou represa, água calma A cada 10 a 15 braçadas Pouca coisa tira você do eixo
Mar com marola ou corrente A cada 4 a 6 braçadas O desvio acontece rápido e é lateral
Dentro do pelotão A cada 12 braçadas Dá pra usar o grupo, mas o grupo também erra
Chegando na boia de contorno A cada 2 a 3 braçadas É onde todo mundo converge ao mesmo tempo

Quanto custa nadar torto

Vale fazer a conta em metros e em minutos, porque em percentual ninguém sente o tamanho do problema. A tabela usa um ritmo de 2 minutos por 100 metros, que é um ritmo de travessia comum entre amadores:

Desvio no percurso Em 1 km Em 3 km Em 5 km
3% 30 m, cerca de 36 s 90 m, cerca de 1min48 150 m, cerca de 3 min
5% 50 m, cerca de 1 min 150 m, cerca de 3 min 250 m, cerca de 5 min
10% 100 m, cerca de 2 min 300 m, cerca de 6 min 500 m, cerca de 10 min

Dez minutos é mais do que a maioria das pessoas ganha em uma temporada inteira de treino de velocidade. Avistamento é o ajuste mais barato que existe nas águas abertas.

Que referência escolher

A boia da organização costuma ser a pior referência possível: é baixa, some atrás da ondulação e fica cercada de gente. Procure algo alto e imóvel atrás dela, alinhado com o caminho:

  • Morro, pico ou torre: a melhor opção, porque não se move e é visível de longe. Cuidado com neblina baixa no começo da manhã.
  • Prédio ou construção grande: ótimo em praia urbana, desde que você escolha um que seja distinguível dos vizinhos.
  • Tenda, poste ou estrutura da organização: boa cor e bom contraste, mas confira antes se a estrutura não muda de lugar durante o evento.

Falta um detalhe que estraga a melhor das miras: a posição do sol. Em prova que sai cedo, o percurso de ida costuma ser contra a luz baixa, e aí nenhuma referência aparece. Lente espelhada ou escura resolve na ida e atrapalha na volta, quando a luz já mudou, então vale escolher a lente pensando no trecho mais crítico do percurso e não no dia inteiro.

Os erros que fazem você sair da linha

  • Levantar a cabeça inteira: quadril afunda, arrasto sobe, e o custo dura várias braçadas.
  • Olhar e respirar no mesmo gesto: torce o pescoço, atrapalha a rolagem e cansa o ombro.
  • Escolher a referência só na hora: a mira se define em terra, antes da largada, olhando o percurso de fora.
  • Olhar só quando desconfia: aí já são dezenas de metros de correção. Avistamento é rotina, não emergência.
  • Confiar cegamente no pelotão: grupo inteiro nadando torto é cena comum em prova de mar.
  • Óculos embaçado ou escuro demais: se você não enxerga a referência, a técnica não tem o que resolver.

Avistamento também é item de segurança, não só de desempenho: é olhando pra frente que você percebe embarcação, mudança de corrente e a distância que ficou da equipe de apoio. Nade sempre com boia de reboque visível, em área monitorada, e acompanhado.

Perguntas frequentes

O que é avistamento (sighting) na natação em águas abertas?

É erguer a cabeça só até a linha dos olhos, aproveitando o apoio da mão que está puxando, pra conferir a direção. Como só os olhos saem da água, o gesto é chamado de nado jacaré. Ele dura menos de um segundo e é o que mantém o percurso reto.

Por que meu quadril afunda quando eu olho pra frente?

Porque você está projetando o queixo em vez de erguer só os olhos. Quando a cabeça sobe demais, o quadril desce na mesma medida, o corpo perde a posição horizontal e o arrasto aumenta por várias braçadas seguintes. Um avistamento mal feito custa mais que dois bem feitos.

De quantas em quantas braçadas devo avistar?

Em lago ou represa com água calma, a cada 10 a 15 braçadas. Em mar com marola ou corrente, a cada 4 a 6. Dentro do pelotão, a cada 12, sem confiar cegamente no grupo. Chegando na boia de contorno, a cada 2 ou 3 braçadas, porque é onde todo mundo converge.

Quanto tempo se perde nadando torto?

A 2 minutos por 100 metros, um desvio de 5% custa 50 metros e cerca de 1 minuto em 1 km, e 250 metros e cerca de 5 minutos em 5 km. Um desvio de 10% em 5 km chega a 500 metros extras, algo como 10 minutos, mais do que a maioria ganha numa temporada de treino de velocidade.

Devo mirar na boia da prova?

Só na aproximação. A boia é baixa, some atrás da ondulação e fica cercada de nadadores. O melhor é escolher algo alto e imóvel atrás dela, como morro, torre ou um prédio distinguível, e definir essa mira ainda em terra, olhando o percurso de fora antes da largada.

Posso respirar no mesmo movimento em que avisto?

Não é o ideal. Separe em três tempos: puxa, olha pra frente com os olhos na linha da água, depois apoia a cabeça de volta e gira de lado pra respirar no ciclo normal. Juntar os dois gestos torce o pescoço, atrapalha a rolagem do corpo e sobrecarrega o ombro.

Comentários Deixar o seu

Deixe o seu comentário

O seu e-mail não aparece no site. Todo comentário passa por revisão antes de publicar.