Quantas braçadas por minuto dar na natação? O ritmo da elite em águas abertas e como achar o seu
Na água aberta, a elite nada entre 72 e 90 braçadas por minuto, contando os dois braços, e acelera na segunda metade da prova. O amador que desliza demais costuma ficar entre 45 e 53. O seu número certo não se copia do campeão: se acha com um bipe e um teste em escada na piscina.
Braçada por minuto é a cadência da natação, a mesma ideia do giro na bike e dos passos por minuto na corrida. E é o número que mais engana o amador: quem nada «comprido e bonito» costuma achar que está fazendo certo, até a primeira prova no mar, quando cada marola de outro nadador para a braçada no meio.
Quantas braçadas por minuto a elite dá numa prova de 10 km?
O melhor retrato vem do Mundial de 2019, na Coreia do Sul. Pesquisadores espanhóis mediram a cadência de 175 nadadores nas provas de 10 km e 25 km, volta a volta (Rodríguez e colegas, IJERPH, 2021). O estudo mede em ciclos, e um ciclo são duas braçadas, uma de cada braço. Convertido para a conta que o nadador faz na beira da piscina:
| Prova (média dos 10 primeiros) | Ciclos por minuto | Braçadas por minuto |
|---|---|---|
| 10 km masculino | 36,0 | 72 |
| 10 km feminino | 41,4 | 83 |
| 25 km masculino | 34,0 | 68 |
| 25 km feminino | 37,3 | 75 |
Dois detalhes chamam atenção. As mulheres nadam com cadência cerca de 2 ciclos acima dos homens, nas duas distâncias. E a cadência média, sozinha, quase não separou quem ganhou de quem chegou atrás. O que separou foi o momento em que ela sobe.
Por que os melhores aceleram a braçada no fim?
No 10 km masculino, os grupos da frente nadaram as três primeiras voltas com a cadência estável e passaram a subir dali em diante, até a chegada. No feminino, as 10 primeiras fecharam a última volta perto de 45 ciclos, ou 90 braçadas por minuto, cerca de 12% acima do ritmo da largada. Quem terminou mais atrás não teve essa subida.
Uma revisão de estudos com nadadores de elite dos 10 km, publicada em 2026, chegou à mesma recomendação: subir a cadência em até 10% nos últimos 400 a 500 metros, para compensar a perda de velocidade que o cansaço traz (Fernández-Asensio e colegas, IJSPP, 2026).
Para o amador, a conta é simples: se você nada a 60 braçadas por minuto, o fim forte da sua travessia é perto de 66, não 80. Acelerar demais vira briga com a água e o braço encurta.
Deslizar mais não é nadar melhor?
Na piscina, o deslize longo parece eficiente. Na água aberta, ele cobra caro. A Swim Smooth, escola de técnica que trabalha com triatletas e nadadores de mar, separa o amador em perfis:
- Quem desliza demais: fica entre 45 e 53 braçadas por minuto, com uma pausa na frente que freia o corpo a cada ciclo. O alvo sugerido é de 57 a 65, conforme a altura e o alcance do braço.
- Quem briga com a água: fica entre 65 e 75, rápido demais para o próprio braço. Aqui o conselho é o contrário, baixar para 55 a 60 e alongar a braçada.
- Quem nada curto e lento: perto de 50 ou menos. O primeiro passo é subir cerca de 5 braçadas por minuto.
Para comparar com quem chegou lá, a mesma escola cita Ian Thorpe a 75, o triatleta Alistair Brownlee a 90 e a francesa Laure Manaudou a 110. Estilos muito diferentes, todos rápidos. No mar, a cadência mais alta ajuda a furar a marola e a esteira de quem nada ao lado, que é exatamente onde o deslize longo para.
Como medir a sua cadência na natação?
- Nade em ritmo de prova, não no aquecimento.
- Peça para alguém na borda contar as entradas de mão na água, dos dois braços, por 30 segundos, e multiplicar por 2. Sozinho, conte 15 segundos e multiplique por 4.
- Repita em dois ou três tiros e fique com a média. Relógio de natação também mede, mas confira na contagem pelo menos uma vez.
Como subir a braçada sem encurtar o movimento?
A ferramenta é um bipe de cadência, um aparelho pequeno que vai debaixo da touca e apita no ritmo escolhido. Você encaixa a entrada da mão em cada apito. Com ele, a Redação monta o teste em escada assim:
- Comece na cadência que você mediu e nade 100 metros, anotando o tempo e a sensação de esforço.
- Suba 3 braçadas por minuto, descanse e repita. Siga subindo até a braçada encurtar ou o esforço disparar.
- O seu ponto é o último degrau em que o tempo caiu sem o esforço subir. A Swim Smooth dá o exemplo de quem nadava a 55 e ficou mais rápido, com menos esforço, a 59.
- Se a braçada encurtou cedo, teste com flutuador entre as pernas: muitas vezes é a pernada que segura o ritmo do braço.
Quem desliza demais deve arrumar antes o punho caído na frente da braçada. Com a mão firme, a cadência sobe quase sozinha.
Braçada mais rápida aumenta o atrito na pele?
Aumenta a conta de repetições. Uma prova de 10 km em 2 horas, a 72 braçadas por minuto, são mais de 8.600 voltas do braço roçando pescoço, axila e a borda da roupa de borracha, quase sempre com sal. É por isso que o Antiatrito Stick entra antes de a roupa entrar, nos pontos onde o tecido toca a pele.
Travessia longa também é sol nas costas por uma, duas horas sem sombra. O Protetor Solar Corporal FPS 50 vai antes do antiatrito, com tempo para secar. O resto do kit de quem nada no mar está no Guia Rosa V de Águas Abertas.
Para fechar a técnica, vale ler também quantas braçadas dar entre uma olhada e outra e se vale respirar dos dois lados.
Fontes: Rodríguez L., Veiga S., García I., González-Ravé J. M., «Stroking Rates of Open Water Swimmers during the 2019 FINA World Swimming Championships», International Journal of Environmental Research and Public Health, 2021; Fernández-Asensio J. M. e colegas, revisão sistemática sobre nadadores de elite dos 10 km, International Journal of Sports Physiology and Performance, 2026; Swim Smooth, «Should You Be Trying To Increase Your Stroke Rate?», 2015.

Deixe o seu comentário