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Pernada na natação: por que a perna afunda e como treinar, para amadores e triatletas

A força não nasce no pé, nasce no quadril. E o triatleta tem um desafio a mais, porque chega na água com a biomecânica do pedal e da corrida.

Pernada na natação: por que a perna afunda e como treinar, para amadores e triatletas
Samir Barel em vídeo sobre a pernada na natação. Imagem: reprodução do vídeo de Samir Barel

A pernada costuma ser uma das maiores dificuldades para atletas amadores de águas abertas e, principalmente, para os triatletas. Se você sente que a sua perna afunda, ou que faz muita força para pouco deslocamento, saiba que não está sozinho.

Para os triatletas, o desafio é ainda maior. O pedal e a corrida exigem uma biomecânica completamente diferente da natação. Quando esse atleta cai na água, além de carregar a sobrecarga muscular das outras modalidades, a exigência de um movimento diferente muitas vezes resulta em cãibras e desconforto. Já para os maratonistas aquáticos puros, o desafio é outro: aprender a bater um pouco mais de perna para manter uma boa propulsão e flutuação.

Como desenvolver uma boa pernada? O segredo está na técnica, na mobilidade e no treino constante.

A força não está no pé, está no quadril

O primeiro passo para uma pernada eficiente é entender de onde o movimento nasce. A força não deve começar no joelho, e muito menos no pé. Ela começa lá em cima, no quadril.

O movimento correto transfere a força gerada no quadril, passando pela coxa, até a ponta do pé, como um chicote. Para isso acontecer com perfeição, é fundamental trabalhar flexibilidade e mobilidade, principalmente de tornozelo e de quadril. Quanto maior a amplitude de movimento nessas articulações, maior a sua propulsão na água.

Samir mostra, em vídeo, de onde vem a força da pernada. No vídeo, ele cita a marca de nadadeira que o patrocina.

O papel do pé de pato, e como escolher

A nadadeira, o pé de pato, é uma excelente aliada no desenvolvimento da pernada, porque aumenta a área de contato com a água e, com isso, a propulsão. O material faz toda a diferença: modelos mais maleáveis e flexíveis costumam render muito mais na água.

Eu, particularmente, gosto das nadadeiras de material flexível, que simulam muito bem a biomecânica ideal do nado e permitem trabalhar tanto a velocidade quanto a resistência. É a flexibilidade do material que garante a propulsão extra no final do movimento.

Como treinar a pernada: não tem atalho

A resposta para melhorar a pernada é simples e direta: treinando. Não existe mágica ou dica secreta que substitua o trabalho duro na piscina.

Se você está acostumado a nadar o tempo todo com pé de pato, o ideal é começar a tirar aos poucos, para trabalhar a propriocepção, que é a percepção do próprio corpo na água. Uma boa estratégia é fracionar o uso:

  • 100 m de perna com o pé de pato só no pé direito.
  • 100 m invertendo, com o pé de pato só no pé esquerdo.
  • Termine a série fazendo a perna sem nenhum equipamento.

O importante é que todos os seus treinos tenham pelo menos um bloco focado só em pernas.

A regra de ouro: perna e braço conversando

De nada adianta ter a pernada mais forte e eficiente da piscina se ela não conversa com a sua braçada. Logo depois do bloco educativo de pernas, volte a nadar o estilo completo. O objetivo é encaixar a coordenação, sincronizando a batida de perna com o ciclo de braços, o que também tira do ombro uma parte do trabalho.

Trabalhe a perna, ganhe mobilidade, use os equipamentos a seu favor e, acima de tudo, integre o movimento ao nado completo.

Perguntas frequentes

Por que a perna afunda quando nado?

Na maioria dos casos porque a força da pernada começa no joelho ou no pé, e não no quadril. O movimento eficiente é como um chicote: a força nasce no quadril, passa pela coxa e chega à ponta do pé. Pouca mobilidade de tornozelo e de quadril também reduz a propulsão e a flutuação.

Por que triatleta tem mais dificuldade com a pernada?

Porque o pedal e a corrida exigem uma biomecânica muito diferente da natação. O triatleta chega na água com a sobrecarga muscular das outras modalidades e precisa de um movimento que não usa no resto do treino, o que muitas vezes gera cãibras e desconforto.

Pé de pato ajuda a melhorar a pernada?

Ajuda, porque aumenta a área de contato e a propulsão, e modelos de material mais flexível rendem mais. Mas quem nada sempre com pé de pato deve tirar aos poucos: fracionar o uso, um pé de cada vez, e terminar a série sem equipamento para trabalhar a percepção do corpo na água.

Como treinar a pernada na natação?

Com um bloco só de pernas em todo treino. Uma série sugerida pelo maratonista aquático Samir Barel: 100 m com pé de pato só no pé direito, 100 m só no esquerdo e o final sem equipamento. Logo depois, voltar ao nado completo para sincronizar a perna com a braçada.

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