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Como os juízes dão nota no freestyle do kitesurf? Os critérios do mundial e o que eles ensinam para o seu salto

Como os juízes dão nota no freestyle do kitesurf? Os critérios do mundial e o que eles ensinam para o seu salto

No freestyle do kitesurf, cada manobra recebe uma nota de 0,1 a 10 de um painel de juízes, e o que eles olham está escrito no regulamento da GKA: altura e amplitude, dificuldade técnica, potência, risco, fluidez na execução e no pouso, e inovação. Na bateria, cada atleta tem uma sequência de tentativas, uma manobra por vez, e só as melhores contam, desde que venham de famílias diferentes. É por isso que, na final do circuito mundial que vai até sábado, 24 de outubro, na Ilha do Guajiru, no Ceará, quem só sabe pular alto não ganha: ganha quem pula alto com variedade.

Quem dá a nota no freestyle do kitesurf?

Um painel com número ímpar de juízes, nunca menos de três. Quando o painel tem cinco, a maior e a menor nota de cada manobra são descartadas, e a nota final é a média das três do meio. Juiz que perde a manobra de vista marca “M”, e a nota dele vira a média dos outros. O regulamento também pede que nenhum juiz tenha laço de família com competidor. A escala vai de 0,1 a 10, com duas casas decimais, e as notas que contam são somadas: maior soma vence a bateria.

O que os juízes olham em cada manobra?

São seis critérios, na ordem em que a GKA lista no regulamento de 2026:

Critério O que o juiz avalia Como aparece na água
Altura e amplitude O quanto a manobra sobe e a distância que percorre no ar Quanto mais vento, mais peso esse critério ganha, mas só se vier junto com risco e dificuldade
Dificuldade técnica O grau de complexidade da manobra Uma rotação com passe de barra é mais difícil que a mesma rotação sem passe
Potência Velocidade de entrada no pop, velocidade de saída no pouso, posição da pipa e altura Manobra que sai lenta e cai parada perde ponto
Risco Compromisso do atleta, esforço físico, duração do momento crítico e energia Fazer a manobra difícil com a pipa em posição de potência, sem facilitar
Fluidez Suavidade na execução e no pouso Pouso limpo, andando, sem tirar a mão da barra para se equilibrar
Inovação Manobra nova, que nunca foi acertada em competição As manobras inéditas aparecem em vermelho na lista oficial e ganham bônus se forem acertadas

Pouso com o bumbum na água sem perder a prancha, o que os atletas chamam de “butt check”, ainda pode receber nota parcial. Quanto vale fica a critério de cada juiz.

Como funciona a bateria do freestyle?

É manobra por manobra, um atleta de cada vez, na ordem da bateria, de dois a quatro competidores. Um painel na praia mostra a cor da lycra de quem tem a vez, o tempo para a tentativa e a nota que cada um precisa para passar à frente. O tempo por tentativa é de no máximo 1 minuto e 30 segundos. Quem tem a vez tem prioridade total na área de competição, e quem atrapalha leva punição: na primeira interferência, perde metade de uma das notas que contam; na segunda, sai da bateria. Nas finais, cada atleta tem sete tentativas, e o resultado vale mesmo que o vento acabe depois da quinta.

Por que pular alto não basta para ganhar?

Porque o regulamento obriga a variar. As manobras são divididas em dois grupos. No grupo de borda de calcanhar ficam quatro famílias: os raleys, os slims e KGBs, os hinterbergers e heart attacks, e os mobes. No grupo de variedade ficam rewinds, manobras de borda de dedo ou de costas, combinações, rotações invertidas duplas e kiteloops com passe de barra. Só a melhor nota de cada família conta. Quando quatro manobras contam, o masculino pode somar no máximo duas do grupo de calcanhar e três do de variedade, sempre de famílias diferentes. Na prática, o atleta que repete a mesma manobra boa sete vezes fica com uma nota só.

E a combinação de manobras, como é avaliada?

Como uma manobra só, com nota de 0,1 a 10 e os mesmos critérios. Os juízes ainda premiam a ligação entre as partes, a variedade e a criatividade, como emendar uma manobra de borda de dedo ou de costas com uma em switch, de pé trocado. Combinação com manobras em switch aumenta o potencial da nota.

O que muda se o vento ficar forte demais?

A prova pode virar Big Air. Com vento fraco, médio ou forte, o foco é o freestyle. Se o vento passa do ponto de dar para fazer manobra técnica, o diretor de prova e o juiz principal trocam o formato. Para decidir, eles olham velocidade e direção do vento, temperatura, previsão, ondas e correnteza. Começada uma rodada, o formato fica até ela terminar, a não ser que a condição mude muito.

Quem é do Brasil na final do Guajiru?

Segundo o Diário do Nordeste, Bruna Kajiya chegou à última etapa liderando o ranking feminino, com 2.000 pontos e as vitórias na Alemanha e no México. No masculino, Davi Ribeiro era o melhor brasileiro, em 3º, com 1.450 pontos, e Pedro Alexandre aparecia em 15º, com 420. A etapa distribui 25 mil euros em prêmios, e a GKA transmite as baterias ao vivo no site oficial. O freestyle brasileiro tem história nesse critério de variedade: o atleta Rosa V Carlos Mário, o Bebê, nascido na Lagoa do Cauípe, em Caucaia, tem cinco títulos mundiais de freestyle, o último deles na GKA, em 2023.

O que isso ensina para quem está aprendendo a saltar?

Que nota de juiz começa no pouso. Antes de pensar em rotação, a base é a que o passo a passo do primeiro salto ensina: borda firme, pipa subindo no tempo certo e pouso andando, a favor do vento. Altura sem pouso limpo não pontua nem na competição nem no seu velejo. E a pipa certa para o vento do dia, que o guia de tamanho de pipa por vento resume, é o que dá potência sem tirar o controle.

Na lagoa do Guajiru, a bateria acontece sob sol forte e com sal secando no rosto entre uma tentativa e outra. É o mesmo cenário de qualquer sessão longa no Nordeste: o lábio racha antes de a pele queimar.

Para o resto da pele no velejo, veja a Guia Rosa V de Kitesurf.

Fontes

  • GKA Kite World Tour, “GKA Rulebook 2026”, capítulo 3 (Freestyle) e regras gerais de julgamento: GKA.
  • GKA Kite World Tour, página oficial da etapa “GKA Freestyle Kite World Cup Ilha do Guajiru 2026”: GKA.
  • Diário do Nordeste, “Brasil no Mundial de Kitesurf: veja os brasileiros que disputam o GKA World Kite Fest 2026”, 6 de outubro de 2026: Diário do Nordeste.
  • GKA Kite World Tour, “World champions crowned in Brazilian double”: GKA.

Perguntas frequentes

Como é a nota no freestyle do kitesurf?

Cada manobra recebe uma nota de 0,1 a 10, com duas casas decimais, de um painel com número ímpar de juízes. As notas que contam são somadas, e a maior soma vence a bateria.

Quantos juízes avaliam o freestyle da GKA?

No mínimo três, sempre em número ímpar. Com cinco juízes, a maior e a menor nota de cada manobra são descartadas e vale a média das outras três.

Quais são os critérios de julgamento do freestyle?

Altura e amplitude, dificuldade técnica, potência, risco, fluidez na execução e no pouso, e inovação, segundo o regulamento da GKA de 2026.

Quantas tentativas o atleta tem na final do freestyle?

Sete, uma manobra por vez. O resultado da final vale mesmo que o vento acabe depois da quinta tentativa de cada atleta.

Por que repetir a mesma manobra não adianta?

Porque só a melhor nota de cada família de manobra conta. Com quatro manobras valendo, o masculino soma no máximo duas do grupo de borda de calcanhar e três do grupo de variedade, de famílias diferentes.

Pousar sentado na água zera a nota?

Não necessariamente. Se o atleta encosta o bumbum na água sem perder a prancha, os juízes podem dar nota parcial, a critério de cada um.

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