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Dá para nadar rápido depois dos 50? O que a ciência diz sobre idade e natação, e o que muda no treino

Quanto a natação perde por ano depois dos 40, por que a prova curta cai menos e o que a vitória de uma olímpica de 51 anos no mar ensina a quem nada.

Dá para nadar rápido depois dos 50? O que a ciência diz sobre idade e natação, e o que muda no treino

Dá, e os dados dos campeões master mostram quanto. Quem segue treinando mantém o auge até perto dos 35 ou 40 anos e depois perde cerca de 0,6% de velocidade por ano até os 70 ou 75. Na prática, um nadador que faz 1.500 m em 30 minutos aos 40 anos nada a mesma distância em cerca de 31min48s aos 50. A queda é lenta, é menor nas provas curtas e varia muito de pessoa para pessoa, o que quer dizer que o treino pesa mais do que a data de nascimento.

O que a vitória da Fabíola Molina no mar mostra?

No fim de semana de 17 e 18 de outubro, na Praia de Camburi, em Vitória, a nadadora olímpica Fabíola Molina, de São José dos Campos, venceu no geral a prova de 2,5 km em águas abertas da edição especial do Circuito Mares no Espírito Santo, segundo a cobertura da Life Informa. Fabíola nasceu em 1975, nadou três Olimpíadas (Sydney 2000, Pequim 2008 e Londres 2012) e fez carreira no nado costas, em prova de 50 e 100 metros na piscina. Aos 51 anos, ganhou no geral uma prova de fundo no mar.

Ela é exceção, porque tem base olímpica. Mas a curva que ela segue é a mesma que os estudos com nadadores master descrevem, e é essa curva que interessa a quem começou ou voltou a nadar depois dos 40.

Quanto a natação perde por ano depois dos 40?

O estudo de Rubin e colegas, publicado em 2013 no Open Access Journal of Sports Medicine, acompanhou 45 campeões master nacionais e internacionais, de 25 a 96 anos, por uma média de 23 anos de competição. A conclusão: em homens e mulheres, em prova curta e longa, a queda é linear, de cerca de 0,6% ao ano até os 70 ou 75 anos, e só depois acelera.

A tabela abaixo aplica esses 0,6% ao ano a partir do tempo de cada um aos 40 anos, nos 1.500 m:

Seu tempo aos 40 Aos 50 Aos 60 Aos 70
25min00s 26min30s 28min00s 29min30s
30min00s 31min48s 33min36s 35min24s
35min00s 37min06s 39min12s 41min18s
40min00s 42min24s 44min48s 47min12s

Conta: tempo aos 40 × (1 + 0,006 × anos a mais). É uma média de quem compete e treina sem parar. Serve de referência, não de previsão individual.

Por que a prova curta perde menos que a longa?

O estudo de Donato e colegas, de 2003, no Journal of Applied Physiology, analisou 640 nadadores que ficaram entre os 10 primeiros da sua faixa no campeonato nacional master dos Estados Unidos, de 1988 a 1999. Até os 70 anos, o tempo nos 1.500 m subiu de 6% a 12% no intervalo medido, e o dos 50 m, de 3% a 8%. A explicação dos autores: a potência de braço para o esforço curto se preserva melhor, enquanto a capacidade aeróbica, que sustenta a prova longa, cai mais com a idade.

Duas outras observações do mesmo estudo ajudam quem nada:

  • A diferença entre as pessoas cresce com a idade. Aos 30, os nadadores de uma faixa são parecidos. Aos 60, uns estão muito à frente de outros. A idade explica cada vez menos, o hábito explica cada vez mais.
  • Nos 50 m, as mulheres perderam velocidade mais rápido que os homens; nos 1.500 m, não houve diferença. Para a nadadora de fundo e de águas abertas, a curva é a mesma dos homens.

Quem começa a nadar aos 45 ainda pode melhorar?

Pode, e por alguns anos. O mesmo estudo de Rubin notou que, acompanhando cada nadador ao longo do tempo, a queda saía mais suave do que a dos recordes por idade, e atribuiu isso ao efeito do treino em quem tinha acabado de entrar no master: a técnica e o condicionamento novos compensam a idade por um tempo. Em outras palavras, a curva de 0,6% ao ano vale para quem já está no seu melhor. Quem está começando ainda tem muita braçada para ganhar antes de encontrar essa curva.

O que muda no treino depois dos 50?

Os dados apontam três caminhos, sem fórmula mágica:

  • Manter um pouco de velocidade. Se a potência curta é o que mais se preserva, vale não abandonar os tiros curtos e rápidos, mesmo para quem só nada travessia.
  • Cuidar da técnica. Braçada longa e respiração sem levantar a cabeça gastam menos energia, e economia vale ouro quando o fôlego diminui. Veja a respiração dos dois lados e a pernada que não afunda.
  • Treinar com regularidade. É o que separa os nadadores da mesma idade. Antes de mudar volume ou intensidade, converse com o seu treinador e faça a avaliação médica de rotina.

E a pele, depois de anos de mar e sol?

Prova de 2,5 km no mar leva de 40 minutos a mais de uma hora, quase sempre de manhã, com sol nas costas, na nuca e no rosto. A pele acumula a exposição de cada temporada, e é por isso que o protetor resistente à água entra antes da largada e volta depois da saída, como explicamos em quanto tempo dura o protetor resistente à água. No pescoço e nas axilas, onde a roupa de borracha e a braçada repetida esfregam, o antiatrito evita a assadura de sal.

Para montar o kit inteiro de quem nada no mar, veja a Guia Rosa V de Águas Abertas e o Antiatrito Stick.

Fontes

  • Gabriela Cobianchi, “Fabíola Molina vence prova de 2,5 km em águas abertas no Espírito Santo”, Life Informa, 19 de outubro de 2026: Life Informa.
  • Rubin RT e colegas, “Declines in swimming performance with age: a longitudinal study of Masters swimming champions”, Open Access Journal of Sports Medicine, 2013, volume 4, páginas 63 a 70: Dove Press.
  • Donato AJ, Tench K, Glueck DH, Seals DR, Eskurza I, Tanaka H, “Declines in physiological functional capacity with age: a longitudinal study in peak swimming performance”, Journal of Applied Physiology, 2003, volume 94, páginas 764 a 769: PubMed Central.
  • Trajetória olímpica de Fabíola Molina: Wikipedia.

Perguntas frequentes

Quanto a natação piora por ano depois dos 40?

Nos campeões master acompanhados por Rubin e colegas (2013), cerca de 0,6% ao ano, de forma linear até os 70 ou 75 anos, em homens e mulheres, em prova curta e longa. Depois disso a queda acelera.

Com que idade o nadador atinge o auge?

Nos dados de nadadores master dos Estados Unidos, o tempo de pico se mantém até cerca de 35 anos nos 1.500 m, e a queda até os 70 é gradual.

Por que a prova curta perde menos com a idade?

Segundo Donato e colegas (2003), a potência de braço do esforço curto se preserva melhor, enquanto a capacidade aeróbica que sustenta a prova longa cai mais.

Quem começa a nadar depois dos 45 ainda melhora?

Sim, por alguns anos. A técnica e o condicionamento novos compensam a idade por um tempo, antes de o nadador encontrar a curva de queda de quem já está no seu melhor.

A mulher perde mais velocidade que o homem na natação?

Nos 50 m, sim, as mulheres perderam velocidade mais rápido no estudo de Donato e colegas. Nos 1.500 m, não houve diferença entre os sexos.

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