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Subir de bike em pé ou sentado? O que os estudos medem e quando vale levantar do selim

Subir de bike em pé ou sentado? O que os estudos medem e quando vale levantar do selim

Depende do esforço, mais do que da rampa. No ritmo de uma subida longa, pedalar em pé ou sentado gasta praticamente a mesma energia, mas em pé o coração bate mais rápido e a respiração aperta. Quando o esforço chega perto do máximo, ficar em pé rende mais: num estudo com rampa de 10%, a virada aconteceu em 94% da potência máxima aeróbica, e no sprint de 30 segundos os ciclistas tiraram 803 watts em pé, contra 635 sentados.

Na primeira serra, quase todo mundo faz igual: levanta do selim quando a perna começa a queimar e senta de novo quando falta ar. A sensação diz que em pé é mais forte e sentado é mais econômico. Os laboratórios mediram as duas coisas, e a resposta tem um detalhe que pouca gente conta: o preço de ficar em pé quase não aparece na energia gasta, aparece no coração.

Pedalar em pé gasta mais energia do que sentado?

No ritmo forte e sustentado, praticamente não. Em 2002, o pesquisador francês Grégoire Millet e colegas colocaram oito ciclistas bem treinados para pedalar seis minutos a 75% da potência de pico em três situações: no plano sentado, na subida sentado e na subida em pé (Millet e colegas, Medicine and Science in Sports and Exercise, 2002). A eficiência bruta ficou em torno de 22,4% e não mudou entre as três. O que mudou foi o resto do corpo: em pé, a frequência cardíaca e a ventilação subiram.

Um estudo-piloto mais recente, com três ciclistas universitários numa rampa de 8% a velocidade fixa, foi na mesma direção (Berkemeier e colegas, Journal of Science and Cycling, 2017). É uma amostra pequena, que mostra tendência e não regra, mas os números ajudam a enxergar o tamanho da diferença:

Medida na rampa de 8% Sentado Em pé Diferença
Consumo de oxigênio 3,06 litros por minuto 3,17 litros por minuto 3,6% a mais em pé
Frequência cardíaca 166 bpm 175 bpm 9 batimentos a mais em pé
Cadência 66 rpm 60 rpm 6 pedaladas a menos por minuto em pé

A conta da última coluna é aberta: 3,17 dividido por 3,06 dá 1,036, ou 3,6% a mais de oxigênio; 175 menos 166 dá 9 batimentos. Pouco no oxigênio, bastante no coração, e é o coração que manda a conta no fim de uma serra de meia hora.

Quando ficar em pé passa a valer a pena?

Quando o esforço é muito forte e curto. Em 2008, os pesquisadores E. A. Hansen e H. Waldeland puseram dez ciclistas homens, com consumo máximo de oxigênio médio de 70 ml por quilo por minuto, para pedalar até a exaustão numa esteira com 10% de inclinação, sentados e em pé, em quatro cargas entre 86% e 165% da potência máxima aeróbica (Hansen e Waldeland, Journal of Sports Sciences, 2008). A potência máxima aeróbica é a carga que você alcança no fim de um teste de esforço máximo, um ritmo que só se aguenta por poucos minutos.

A 86% dessa potência, o tempo até a exaustão foi o mesmo nas duas posições. A 165%, todos os dez aguentaram mais em pé. O ponto de virada calculado pelos autores ficou em 94%: abaixo disso, tanto faz a posição; acima, em pé é melhor. O estudo de Millet mostra o outro lado da mesma moeda: no sprint de 30 segundos, os ciclistas fizeram 803 watts em pé e 635 sentados, 26% a mais só por levantar do selim.

Quando subir sentado e quando subir em pé?

Situação na subida Posição Por quê
Serra longa, ritmo que dá para sustentar Sentado, com marcha leve Mesma energia, coração mais calmo
Rampa curta em que você está no limite Em pé Acima de 94% da potência máxima, em pé aguenta mais
Arrancada, ataque ou passar alguém Em pé Cerca de 26% mais potência no sprint
Perna travando no meio da serra Alternar por alguns segundos Muda a posição do corpo e os pontos de apoio, sem grande custo de energia

A última linha é opinião da Redação, não resultado de estudo: levantar um pouco para esticar as costas e soltar a perna é o que a maioria dos ciclistas experientes faz numa subida longa, e os dados acima mostram que isso custa pouca energia, desde que você volte a sentar antes de o coração disparar.

Por que o coração dispara quando você levanta do selim?

Em pé, o selim deixa de segurar o peso do corpo, e braços, ombros e tronco passam a trabalhar para equilibrar e balançar a bike. É mais músculo pedindo sangue ao mesmo tempo, e o estudo de 2002 registrou ventilação e frequência cardíaca mais altas em pé, mesmo com a eficiência igual. Os próprios autores lembram que a técnica de quem pedala em pé pesa muito no resultado: quem balança demais o tronco gasta mais.

Como pedalar em pé sem desperdiçar força?

  • Suba uma ou duas marchas ao levantar: em pé a cadência cai naturalmente, como mostraram as 6 pedaladas a menos do estudo de 2017.
  • Mãos em cima dos manetes, cotovelos soltos, e deixe a bike balançar um pouco embaixo de você, sem jogar o tronco de um lado para o outro.
  • Mantenha o quadril perto da ponta do selim, sem ir para a frente do guidão.
  • Sente de novo antes de estourar: em pé, o limite chega mais rápido no coração do que na perna.

Para acertar o giro na subida sentado, vale ler qual é a cadência ideal na bike, e para quem sente o joelho ou a lombar na serra, a altura certa do selim.

O que muda no corpo numa subida longa?

Subida é velocidade baixa, pouco vento e muito tempo sentado na mesma posição. O suor não seca, o sol bate direto nos braços e na nuca, e a bermuda roça no selim a cada pedalada. Alternar a posição alivia, mas quem encara uma serra de meia hora ou mais sente o atrito na virilha no dia seguinte. Antes de sair, o antiatrito vai nos pontos de contato com o selim e o protetor vai em tudo que fica fora da roupa.

Para a pele de fora da roupa, use Protetor Solar Corporal FPS 50. O kit completo de quem pedala está no Guia Rosa V de Bike, e quem pedala em grupo encontra a física do vento em quanto o vácuo poupa no pelotão.

Fontes: Millet G. P., Tronche C., Fuster N. e Candau R., «Level ground and uphill cycling efficiency in seated and standing positions», Medicine and Science in Sports and Exercise 34(10), 2002; Hansen E. A. e Waldeland H., «Seated versus standing position for maximization of performance during intense uphill cycling», Journal of Sports Sciences 26(9), 2008; Berkemeier Q., Reede M. e Alumbaugh B., «Uphill cycling: seated versus standing economy and heart rate», Journal of Science and Cycling 6(3), 2017. Percentuais e diferenças das tabelas calculados pela Redação a partir dos valores publicados.

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