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Da terra ao asfalto: Marcos de Pauli estreia no Ironman 70.3 e fecha São Paulo em 4h35

Da terra ao asfalto: Marcos de Pauli estreia no Ironman 70.3 e fecha São Paulo em 4h35
Marcos de Pauli na chegada do Ironman 70.3 São Paulo. Foto: Divulgação

Marcos de Pauli passou cinco anos no cross-triathlon, em prova de terra e distância curta, e estreou no asfalto do Ironman 70.3 São Paulo, no dia 20 de setembro, com 4h35min34s. A meta era ficar abaixo de 4h40. Foi o 80º colocado entre 1.499 atletas que terminaram a prova, o 11º na faixa de 35 a 39 anos, à frente de 95% do pelotão. Nesta reportagem, ele conta a preparação espremida entre trabalho e família, o pedal molhado que enganou na altimetria, o muro do quilômetro 17 e o que passou na pele pra não sentir atrito nenhum.

Quanto tempo Marcos de Pauli fez no Ironman 70.3 São Paulo?

4h35min34s, uma hora mais rápido que a mediana da faixa dele. A classificação oficial mostra onde está a diferença: a natação foi 6 minutos mais rápida, a bike 27 minutos e a corrida 21 minutos. Só 101 dos 1.499 atletas terminaram abaixo de 4h40.

Trecho Marcos de Pauli Mediana da faixa 35 a 39 anos
Natação, 1,9 km 33:42 39:59
T1 3:57 6:20
Bike, 90 km 2:24:43 2:52:02
T2 1:39 3:41
Corrida, 21 km 1:31:33 1:52:16
Total 4:35:34 5:35:46

Os números completos da prova, com os vencedores e as transições, estão em resultado do Ironman 70.3 São Paulo 2026.

Por que um atleta do cross escolhe São Paulo pra estrear no 70.3?

Previsibilidade. A natação de São Paulo é em água parada, fora do mar, então não corre o risco de ser cancelada pelo tempo, como já aconteceu em outras etapas. E a corrida são três voltas no mesmo circuito. «Eu sabia que era uma prova em que eu conseguia me programar», conta Marcos. A cidade, perto de casa, fechou a conta.

O motivo de trocar a terra pelo asfalto foi a própria marca: «Pra quem gosta de triathlon, fazer um 70.3 é um desejo. Eu queria ver o que conseguia entregar numa prova tão dura, de quase cinco horas.»

Como encaixar o treino de 70.3 numa semana de trabalho?

Com ajuste de agenda, e ele avisa que é o mais difícil. Marcos trabalha das 8h às 18h de segunda a sexta, e aos sábados até o meio-dia. «Treinar é fácil, é algo que eu gosto. Difícil é conciliar trabalho, vida pessoal e treino.» Nos dois últimos meses do ciclo, ele reduziu a carga horária no trabalho pra dar conta dos treinos específicos.

A dúvida veio uns 40 dias antes da prova, num treino de domingo: 100 km de bike e 15 km de corrida, saindo às 9h da manhã. No quinto quilômetro a pé, ele estava «aniquilado, passando mal». «Me perguntei por que eu tinha me inscrito numa prova longa, se eu faço provas curtas.»

O pedal de 330 metros de subida que não é fácil

Na planilha, 330 metros de subida em 90 km parece pouco. Na chuva fina daquele domingo, o percurso de São Paulo mostrou outra prova: bueiros, valetas escondidas, túneis escorregadios e muitas curvas fechadas com retomada. «O ciclismo foi mais desafiador do que eu pensei.»

Marcos de Pauli pedalando no asfalto molhado durante o Ironman 70.3 São Paulo 2026
O pedal de 90 km com chuva fina: bueiro, túnel e muita retomada. Foto: Divulgação

A estratégia foi guardar perna nos primeiros 40 km pra sentir o corpo, e subir a força do km 40 ao 90. O dia nublado ajudou: «Eu sabia que podia gastar um pouco mais de energia, que não ia faltar na corrida.» Deu certo: a bike dele foi a 11ª mais rápida da faixa.

O muro do quilômetro 17

Na meia maratona, o choque veio no km 17. Os quilômetros 17, 18 e 19 foram os mais lentos da corrida dele. «Ali foi 100% mental, a cabeça comandando o corpo», diz. O km 20 saiu bem mais rápido, e ele fechou os 21 km em 1h31min33s.

Na chegada, a meta de 4h40 já estava batida. «Com tanta adrenalina, nem ouvi chamarem meu nome. Eu só conseguia dar risada, olhar o relógio e agradecer a Deus.»

O que ele passou na pele pra não sentir atrito

Protetor solar antes da largada e antiatrito nas pernas, nos braços, na axila e atrás do pescoço. A nuca é o ponto que o triatleta esquece: é onde a gola da roupa de borracha raspa a cada braçada. Depois, na corrida, o atrito passa pra axila e pra parte interna da coxa. «Não senti incômodo nenhum. Eu estava extremamente confortável, minha preocupação foi só fazer força», conta.

O resto do cuidado veio antes: semana de sono e descanso, hidratação reforçada nos dois dias anteriores e carboidrato e eletrólitos durante a prova. Pra quem vai estrear num 70.3, a conta do protetor também importa: em 5 a 6 horas de prova, são três aplicações, como explicamos em quantas vezes reaplicar protetor no Ironman 70.3 São Paulo.

Quanto tempo de preparação pede um 70.3?

Pelo menos seis meses de base específica, na conta do próprio Marcos. Ele focou no 70.3 só uns 60 a 70 dias antes da prova, apoiado em cinco anos de triathlon. «A dica que eu daria pra mim é começar o ciclo antes, no mínimo seis meses, pra absorver os volumes altos com segurança.» A recuperação completa, diz ele, leva cerca de uma semana.

Qual é a próxima prova de Marcos de Pauli?

O XTERRA Costa Verde, em Mangaratiba (RJ), nos dias 2 e 3 de outubro, de volta à terra. É a etapa que encerra a temporada do circuito XTERRA, e Marcos chega em segundo lugar no ranking geral amador, segundo ele. O perfil dele está em Marcos de Pauli, atleta Rosa V.

Fontes: classificação oficial do Ironman 70.3 São Paulo 2026 e relatos de Marcos de Pauli em áudio ao Portal dos Esportes Rosa V.

Perguntas frequentes

Quanto tempo Marcos de Pauli fez no Ironman 70.3 São Paulo 2026?

4h35min34s: natação 33min42s, bike 2h24min43s e corrida 1h31min33s. Foi o 80º de 1.499 atletas e o 11º na faixa de 35 a 39 anos.

Qual o tempo médio de um amador no Ironman 70.3 São Paulo?

Em 2026, a mediana da faixa masculina de 35 a 39 anos foi 5h35min46s. Só 101 dos 1.499 atletas terminaram abaixo de 4h40.

Quanto tempo de preparação precisa para um Ironman 70.3?

Marcos de Pauli recomenda pelo menos seis meses de base específica. Ele focou na prova por 60 a 70 dias, apoiado em cinco anos de triathlon.

Onde passar antiatrito no triathlon?

Na nuca, onde a gola da roupa de borracha raspa na natação, e na axila, nos braços e nas pernas para a bike e a corrida. Aplica-se antes de vestir a roupa, direto na pele.

O percurso de bike do Ironman 70.3 São Paulo é difícil?

Tem só cerca de 330 metros de subida em 90 km, mas pede pilotagem: bueiros, valetas, túneis e muitas curvas com retomada, ainda mais com chuva.

Quando é o XTERRA Costa Verde 2026?

Nos dias 2 e 3 de outubro de 2026, no Portobello Resort, em Mangaratiba (RJ), na etapa que encerra a temporada do XTERRA.

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